Armazém Bilatto: passado, presente e futuro num mesmo lugar

Entrar no Armazém Bilatto é como voltar ao passado numa máquina do tempo. Ovos caipiras, linguiça caseira, queijo meia-cura, fubá de moinho de pedra feito em Minas Gerais, codeguim, bucha de metro, frango caipira, leitoa e uma centena de variedades que não se encontra em qualquer lugar. E se você acredita que esse é o segredo para que o armazém esteja em funcionamento desde 1950 na rua avenida Santa Bárbara, 1.812, na parte mais alta do Centro de Limeira, se engana, como conta o proprietário Izualdo Bilatto, de 79 anos, que tem a ajuda da esposa Jenir Nicolau Bilatto, de 74 anos, na administração de um dos armazéns mais antigos da cidade.

Seo Bilatto revela que o “trabalho duro, sem folga” fez o armazém atravessar as décadas e continuar forte, “sem nunca ter tido crise”, como ressaltou. Mesmo diante da invasão de redes de supermercados em Limeira, sua clientela é fiel. “A qualidade e sabor dos produtos são o diferencial. Quem experimenta, não larga. E tudo isso sem aceitar cartão, cheques ou trabalhos com agências bancárias. Trabalho a todo momento. De vez enquanto tiro um dia ou dois de descanso, mas geralmente sou igual a burro de fazenda, se não vai buscar, vem na porteira”, disse aos risos.

Durante a entrevista, alguns clientes chegam. “Tem ovos?”, questiona um deles. “Você quer com pintinho ou sem pintinho?”, pergunta Bilatto. Minutos depois, um homem quer informações sobre uma vassoura. “Preciso de uma sem o cabo”, explica. “Só tenho com cabo, mas se precisar, posso tirá-lo e vender só a vassoura”, responde seo Bilatto, sorridente. Esse tipo de atendimento é comum, ou seja, ninguém sai sem antes se divertir. Outros vão em busca de algo que não está à venda: uma boa conversa. “Tem gente que vem aqui só para conversar, e isso é de graça”, contou.


PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Assim como algumas coisas do passado continuam no presente, outras permaneceram por lá, e trazem saudade à memória de seo Bilatto. “Quando criança, já trabalhava aqui, ajudando meu pai. Me recordo do veículo Ramona 1928 com roda de pau que meu pai usava para fazer entrega. Também havia lenhadores que visitavam os clientes, pois só existia fogão à lenha naquela época, além da venda de água do poço e de banana nas ruas”, descreve.

Há também situações do passado que insistem em continuar no presente: os calotes. “Isso sempre teve e sempre vai existir. Tento me prevenir da melhor forma, por isso apenas aceito pagamento à vista. Mesmo assim há dois ou três ‘mais chegados’ que aceitamos receber depois”, informou.

                                                          

Quanto ao futuro, seo Bilatto não pensa em parar. “Se parar, o que vou fazer? Vou para a praça ficar bebendo e conversando? Nem pensar. Prefiro ficar aqui com minha esposa e ajudar no sustento da minha família, tocando meu comércio e encontrando meus amigos. Há alguns bem antigos que ainda me visitam”, detalhou.

Antes de acabar o bate-papo, chega alguém que atrai sua atenção. É um de seus seis netos, o Matheus, que o visita com frequência. “Quando está aqui, é nossa diversão, ainda mais se a Anna [outra netinha] estiver com ele. Gostam de brincar nos corredores e às vezes até derrubam algo. Meus netos são a próxima geração de nossa família. Infelizmente, nossos dois filhos homens faleceram, um deles recentemente. Mas Deus me deu outras duas filhas maravilhosas, muito inteligentes, e nossos lindos netos”, finalizou.

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